Contrapor a quantidade de gente que anda por aí escrevendo literatura de ficção ou poemas ao número infimamente ridículo de pessoas que leem, em nosso país, pode parecer coisa de quem não tem assunto mais importante a tratar. Pois eu digo que isso depende do que seja um assunto importante. Para mim, por exemplo, leitura literária é coisa importantíssima. Não apenas por ser proveitosa e ajudar na formação do pensamento crítico, mas também porque é ferramenta das mais poderosas quando se trata de alicerçar práticas que nos permitam transitar pelos labirintos intrincados da vida. Leia
Não foi à toa que Saul de Navarro, Mendes Fradique, Rubem Braga, Danuza Leão, Carlinhos Oliveira, Viviane Mosé e Elisa Lucinda, dentre muitos outros, deram tchau e bênção para o nosso estado e não voltaram, a não ser para visitar, às vezes. Não vale a pena ser escritor capixaba, publicar livros aqui e não ser reconhecido. E o único reconhecimento que um autor deseja é ser lido. Há alguns escritores que fazem até pequenas tiragens, cinquenta ou cem exemplares, para distribuir aos amigos, certos de que, pelo menos por eles, serão lidos. Às vezes, nem isso acontece. Bernadette, com dois tês, gente, já escreveu sobre isso, aqui: há mais gente escrevendo do que lendo. Meu reino por uma resenha, afirmam outros. E não adianta criarem “Dia do Escritor Capixaba”, “Medalha ou Comenda Rubem Braga” e outros que tais, tudo isso é vaidade, pura vaidade. Homenagens não pagam boletos, não é, Mara Coradello? Leia

Com que salmos, suratas, analectos ou bagavadeguitás se pode expressar o saber a fé? Em que boa companhia a fé pode estar? Num dos versículos mais belos do Alcorão está escrito: “Se os oceanos fossem feitos de tintas, elas seriam insuficientes para descrever a fé do Islã.” Imaginem então a dificuldade atinente a resenhar o livro Salmos da montanha, de Matusalém Dias de Moura, que, essencialmente, e com que essência, é um livro sobre profissão de fé. Leia

Contar a trajetória da música popular no Espírito Santo por meio de sua produção fonográfica: este é o tema do novo livro do jornalista e escritor José Roberto Santos Neves, Os sons da memória – uma leitura crítica de 40 discos que marcaram época na música do Espírito Santo, selecionado pelo Edital de Produção e Difusão Literária 018/2019 da Secretaria de Estado da Cultura.
Sexto livro de José Roberto Santos Neves, Os sons da memória é resultado de uma extensa pesquisa desenvolvida pelo autor sobre a música popular produzida no Estado, com foco em seus principais personagens. Leia

A literatura não nasceu por obra da genialidade de algum notável ancestral ou grupo étnico que percebeu a potência dos sistemas de escritas a serviço da fantasia e do cotidiano. Na verdade, o surgimento da literatura é laudatório, subserviente, ápice de um soslaio, já que a sua origem remonta à necessidade de garantir robustez e a persistência das crenças, mitos e religiões antigas. Leia

A Academia Espírito-santense de Letras foi criada em 04 de setembro de 1921 e, diferente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, cuja fundação ocorreu cinco anos antes, seus primeiros membros não pensaram ou viabilizaram uma revista para a publicação dos trabalhos e criações literárias de seus sócios. Assim, muito se perdeu da escrita produzida pelos primeiros ocupantes de suas cadeiras, infelizmente. Apenas setenta anos depois, em 1991, saiu uma revista especial da AEL, comemorativa do seu septuagésimo aniversário, na gestão do Dr. José Moysés e tendo como editor Marien Calixte. Leia
Todos conhecem a destreza narrativa de Luiz Guilherme Santos Neves - escritor e historiador com vários livros publicados -, sobretudo através de sua obra O capitão do fim, narrada na primeira pessoa pelo primeiro donatário da Capitania do Espírito Santo, o próprio Vasco Fernandes Coutinho, após a sua morte - relatos póstumos como se fosse um Brás Cubas capixaba -, que flui levemente com sua estrutura épica ágil e, ao mesmo tempo, distanciada e elucidativa. Leia

Lançado em 2020, no, literariamente, profícuo ano da literatura capixaba, o livro A névoa, o menino e o embornal, de Matusalém Dias de Moura, se nos afigura quase como um perfil do autor. Mas o perfil, se nos reportarmos à Idade Média, era como se pintavam os retratos naquele tempo. Na orelha do livro, o retrato do autor está em oblíquo, a orelha esquerda dele aparece e a direita mostra apenas pequeno pedaço do pavilhão auditivo. O mais é o olhar cativante e o sorriso largo sob o nariz anasalado que desconhece a empáfia. Hilda Hilst, citada de memória, certa vez disse que o leitor não deve conhecer o autor para não se desapontar. Além de conhecer o procurador da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, sabia-o, até então, principalmente poeta de variados estilos, autor de haicais singelos, quadras e trovas e sonetos, nunca lera antes nenhum dos seus livros de prosa, sei agora que já publicou cerca de trinta títulos. Leia
Neste período de pandemia ocasionada pela covid-19, o correio me trouxe Sonetos em crise, de Jorge Elias Neto, médico cardiologista que pertence à Academia Espírito-santense de Letras, Cadeira 2, cujo patrono é Graciano dos Santos Neves, que, também, foi médico. O lançamento é original e humanitário, pois a arrecadação servirá para alimentar pessoas sacrificadas pelo Corona vírus, o que mostra a sensibilidade do poeta.
Como em outras produções poéticas de sua autoria, Jorge Elias Neto ratifica com essa obra seu domínio na arte de jogar com os signos do discurso e do sistema da língua. Leia

Homem de letras festejado por todos que o leem, tanto na prosa quanto na poesia, Getúlio Marcos Pereira Neves brinda-nos agora, neste Poemário mirim de pertinências várias, com um punhado de poemas curtos, numerados, de versos também curtos, à moda do modernista Oswald de Andrade, em sua poesia minimalista, e do saudoso poeta e conterrâneo nosso Miguel Depes Tallon, em seus poemetos primeiramente publicados em cartões, distribuídos gratuitamente de mão em mão aos amigos mais chegados, e depois, somente depois, enfeixados em livros para conhecimento e deleite de seus muitos leitores. Leia

Todo mundo sabe que a memória capixaba de seu passado, de sua história e de seus personagens históricos é uma vaga lembrança. Dentre essas figuras esquecidas, hoje, está a do professor Amâncio Pinto Pereira, nascido em Vitória, em 1862 e aqui falecido, em 1918. Diferente de seu filho, o também professor e advogado Heráclito Amâncio Pereira (1894-1957), um dos fundadores da Faculdade de Direito, núcleo formador da futura Universidade do Espírito Santo (1954), federalizada em 1961, que teve o centenário de seu nascimento lembrado e comemorado, passou batido entre nós o centenário de morte do Professor Amâncio Pereira, ocorrido em 2018. Leia


Samuel Duarte, nos 60 capítulos, distribuídos em dois volumes, de As montanhas da Lua (Cachoeiro de Itapemirim: Gracal Gráfica Editora, 1982), engendra a personagem Ariel, idealista, imaginativo, íntegro, corajoso, grande leitor, que procura descobrir um enigma de sua existência. Nessa busca esse ser vai captar a sua história ancestral ao mesmo tempo em que amplia, mediante o enigma do tempo, a história da humanidade, do Brasil e, principalmente, do sul do Estado do Espírito Santo. Contudo, sua inquietação não se limita à questão do tempo proustiano da busca pessoal, na memória pessoal, ao contrário, ele amplia o horizonte para o enigma do tempo coletivo, do tempo que gira para olhar o passado, para captar o mistério de sua própria história. Leia

Nesse livro, NOSOTROS, Wilson Coêlho representa ou apresenta uma face diferente de tudo o que escreveu até agora. Seus livros tinham um caráter dionisíaco. Aqui é um pouco diferente, se trata de uma espécie de testemunha de sua viagem à Cuba; ele não é o que sai da boca de Wilson Coêlho (Deixem-me Falar), mas o próprio país (Cuba) e o autor faz um trabalho de pesquisador. Ele olha a realidade de Cuba sem preconceito contra ou a favor. Wilson Coêlho se deixou levar pelo coração quando ele vê a condição das crianças. Dá a impressão de que temos um país que sobrevive apesar do “blocus continental” orquestrado pelo “Tio Sam” (desde que os USA boicotaram a Ilha) e Wilson Coêlho nos mostra que Cuba não é um país de delírio como a Coreia do Norte. Também não corteja os países dito ricos, e tem um vizinho que manda e desmanda no mundo. Leia

Em pleno Renascimento, no limiar deste mesmo século, onde eram, aqui e ali, erguidas as últimas catedrais góticas no norte da França, com suas torres pontudas, em um outro hemisfério, até então habitado por tribos selvagens aparentadas com os povos mais longínquos do período para-asiático, os atos mais simples, os gestos mais normais de alguns europeus ali chegados tornar-se-iam de um significado insuspeito para a História daquelas terras distantes. (Tradução Anaximandro Amorim) Leia

Escritos afetivos sobre nossa geografia, história, cultura, turismo, tudo que sejam fatos e coisas do Espírito Santo.
Livros integrais inéditos e já publicados de autores capixabas.
Resenhas e podcasts do Clube de Leitura Leia Capixabas.
