
O romanceiro Encontro com a invenção, de Elisa Lucinda, publicado em 2024, foi escolhido por retratar como um personagem ficcional pode impactar a vida de quem o criou. A sensibilidade e a afeição que envolvem a relação entre criador e personagem foram determinantes para a apresentação dessa obra no seminário da disciplina de Literatura do Espírito Santo. Esse tema mostra-se relevante por exaltar a potência da literatura e de seus elementos ficcionais. Ademais, o livro é construído em forma de poemas que narram uma história de romance, o que contribui para cativar a sociedade brasileira à leitura de livros de poesia, os quais, muitas vezes, são esquecidos nas prateleiras por serem considerados irrelevantes ou incompreensíveis. Leia

A discussão sobre a violência doméstica no Brasil ganhou novos contornos jurídicos com a Lei 14.188/2021, que tipificou a violência psicológica contra a mulher e instituiu o programa Sinal Vermelho. No entanto, a compreensão real desse fenômeno muitas vezes escapa à frieza dos textos legais. É nesse vácuo que a literatura contemporânea se faz necessária, traduzindo em experiência o que a lei define como crime. Virgínia Mordida, romance de estreia de Jeovanna Vieira, cumpre essa função de maneira exemplar, oferecendo uma narrativa que funciona tanto como objeto estético quanto como um documento social sobre as microviolências do cotidiano. Leia

Ensaio sobre a antropologia poética e pictórica de Friedrich Lichtsteiner, além do prazer da leitura nos proporciona lembrar, para os que conhecem, o melhor da literatura considerada universal e, para os que não a conhecem, provocar uma vontade de conhecê-la, tendo em vista que passeia por Boris Vian, Homero, Clarice Lispector, Jean-Paul Sartre, Friederick Nietzsche, Jacques Lacan, José Miguel Wisnick, Ítalo Calvino e tantos outros. Leia

A coletânea de contos Além das pernas, de Aline Dias, como outras no campo da literatura contemporânea brasileira, propõe uma escrita centrada nas experiências femininas, abordando temas como afetividade, violência, sexualidade, relações de poder e os conflitos que atravessam o cotidiano das mulheres. O livro se mostra relevante por dar voz a narrativas que historicamente foram silenciadas ou marginalizadas, contribuindo para o debate literário e social sobre gênero, subjetividade e resistência feminina. Leia

Julgo A Oferta e o Altar, publicado pela primeira vez em 1964, um livro seminal sobre o modo de vida capixaba. Analisando - entre outros elementos - a eleição de 1958 no município de Conceição da Barra, que na ficção ganha o nome de Ponta D’Areia, o autor nos faz um retrato do mundinho das pequenas cidades de seu tempo. Um retrato ácido, mas verdadeiro, duro, mas permanente. Creio que muitos daqueles elementos ainda estejam presentes no dia a dia cheio de intrigas e preconceitos que marcam o nosso imaginário social. Leia

Como surge um escritor? O que o molda? Em que forja é feito? Que inquietações o instigam a começar a escrever e que visão de mundo suas obras oferecem ao leitor?
Há escritores que desenvolveram a intimidade com a escrita desde crianças, como revelam quando são entrevistados; em outros, escrever os afasta de seus demônios. Para Clarice Lispector, a escrita é uma maldição que salva, como afirmou em crônica que posteriormente fez parte da reunião de seus escritos para jornal em A descoberta do mundo:
Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva. Leia

Este livro é composto de 55 ensaios distribuídos em 155 páginas, com temática variada. Como o título indica, o escritor capixaba, José Roberto de Oliveira, tece inúmeras reflexões penumbrosas, que levam o leitor a refletir sobre a vida, com seus relacionamentos, muitas vezes, sombrios e melancólicos. Algumas dicotomias se entrelaçam ao longo da obra: amor/desamor; vida/morte; fidelidade/traição; enlaces/desenlaces; alegria/tristeza... Leia

Ao manusear o novo e quinto livro de Carlos Laet de Oliveira, Nos caminhos e descaminhos em Matéria Gramatical (2026), sem imprimir um olhar atento e curioso sobre o conteúdo de cada capítulo, alguém pode imaginar que, lá dentro, vai encontrar o tédio de um manual ou tratado portador de um amontoado de normas que se limita a repetir o que prescrevem algumas gramáticas e manuais de cunho normativo. Ledo engano. O professor Carlos Laet discute tópicos gramaticais variados e específicos e apresenta, em cada tópico da obra, um tratamento aprofundado do assunto, marcado pela inovação e por sábios e sagazes questionamentos. Leia

Oscar Rezende é um jovem escritor de 72 anos. Digo jovem porque sua passagem para a escrita de livros é nova, data de poucos anos. Murundu é o seu primeiro romance. Outros dois livros, publicados antes, são de contos, e há também um livro de memórias. Doutor e professor de matemática, em seus romances - universo diferente dos números e dos cálculos a que está habituado -, tem sido capaz de entender a alma dos brasileiros, em especial a dos capixabas. Leia
Na tese Essa ilha é uma delícia: entre o inconsciente urbano da modernidade na cidade de Vitória e as literatices de Carmélia Maria de Souza há um conjunto extenso de questões que conduziram os estudos e pesquisas a tensionar processos históricos, urbanísticos e sociológicos da modernidade capixaba, em diálogo com a psicanálise. O trabalho recorre, portanto, a várias áreas das chamadas ciências humanas para tentar compreender o que se passou aqui e como isso se refletiu nas pessoas. Leia

Com a liberdade da ficção e os conhecimentos da história, grandes autores formam o tecido dessa teia que nos mostra as significações imaginárias sociais que nos enredam.
Tenho tentado reunir, na boa literatura que se faz no Espírito Santo, elementos que nos mostrem como foi construído o nosso imaginário social e venho escrevendo sobre isso. Com a liberdade da ficção e os conhecimentos da história, grandes autores formam o tecido dessa teia que nos mostra as significações imaginárias sociais que nos enredam. Leia

A pata do rinoceronte branco é o livro mais recente de Bernadette Lyra, contista capixaba nascida em Conceição da Barra. O conto é seu ambiente, gosta ela de dizer. Depois de ler este seu mais recente livro, a gente diz com ela: é mesmo. Ainda sabendo que já publicou romances e crônicas que permanecem no gozo dos leitores de bom gosto que os leram.
São quinze os contos deste livro, um deles tão curtinho quanto perturbador – como, não menos, o são os demais quatorze. Deixe-me explicar: se coloco o carro na frente desse conto que o leitor achará do meio para o final do livro, é que as magias de Bernadette Lyra imprimiram tanta tensão num texto tão curto que não há leitor que fique indiferente. É um choque. Leia

Escritos afetivos sobre nossa geografia, história, cultura, turismo, tudo que sejam fatos e coisas do Espírito Santo.
Livros integrais inéditos e já publicados de autores capixabas.
Resenhas e podcasts do Clube de Leitura Leia Capixabas.
