A vida dos livros e outras coisas

Deste livro de Cláudio Rodrigues, uma breve relação do patrimônio histórico e religioso do Espírito Santo, disse Gilbert Chaudanne:

“O passado concretizado nas igrejas coloniais é algo que faz parte da nossa vida, é algo que nos diz quem somos; e recusá-las como velharias obsoletas é mostrar, explicitar a cara-carranca do homem ‘modernoso’, narcísico, que acha que nasceu de si.

Essa cultura descartável, do momento, tem seus limites. Não é que devemos reverenciar as ruínas do sagrado como se fossem o próprio sagrado. Mas essas ruínas são como um carimbo esmaecido do que já foi, que não está totalmente morto e ainda vive em nós na forma de reminiscências. Essas ruínas são sagradas, porque representam as digitais comoventes do tempo perdido, mas que, através delas, não se perderam totalmente e assim nos ajudam a ser nós mesmos.

Memória e identidade são estritamente entrelaçadas como as entrelinhas de uma mesma frase. Elas são como ‘a marca d’água’ da identidade capixaba. Elas são a garantia de ser e do Ser.”

Este livro é o minha terra tem palmeiras e o aurora da minha vida da poeta Kátia Bento. A louvação de sua infância e a crônica paixão por sua cidade natal são elementos inseparáveis em sua vida e nos textos deste Castelã, que se incorpora à lista de seus seis livros de poesia publicados anteriormente.

É também uma oportunidade para que novas gerações de castelenses conheçam seu trabalho.

Trata-se de uma legítima declaração de amor e, ao mesmo tempo, de uma confirmação da fidelidade da autora ao seu fazer poético e ao rigor do seu ofício.

Este O assunto é música, de Rogério Coimbra, lançado em fevereiro de 2018, é um divertido passeio ao longo de uma seleção de críticas de discos e crônicas musicais, publicadas entre 1964 e 2012, em que o autor discorre com bom humor sobre a indústria do entretenimento (discos, emissoras de rádio, espetáculos) e seus protagonistas, bem como sobre música em geral, revelando que as nuances que há cem anos promovem o consumo do disco continuam as mesmas. Rogério Coimbra conviveu com a música desde cedo, e chegou a atuar como músico e produtor fonográfico, além de ter tido uma vasta atuação na área cultural do Espírito Santo. Foi ele quem implementou a Lei Rubem Braga, do município de Vitória, tendo sido seu primeiro secretário executivo. O livro foi publicado pela Cândida Editora em parceria com a Estação Capixaba.

Memória repartida, romance de Getúlio Marcos Pereira Neves, marca sua estreia no gênero. Passado na Vila, uma referência a Colatina de outros tempos, é um volume organizado por um diligente senhor de boa vontade, o qual, tendo recebido da aflita mãe de um ex-aluno um volume amarrado com uma fita, trata de dar-lhe ordem e luz. Essa espécie de curador, um literato, trata de dar forma ao enredo, esperançoso de encontrar em seu restrito círculo literário a acolhida ao livro. Boas surpresas aguardam o leitor nesse primeiro romance de Getúlio Neves. É conferir. Leia também

Lançamento da Editora Patuá, editora paulista especializada em poesia, o novo livro de Jorge Elias Neto, Breve dicionário (poético) do boxe contém, em suas 76 páginas, poemas dedicados ao mundo do boxe.

A série Escritos de Vitória, criada pela Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória no início dos anos 1990, chega ao seu trigésimo volume, com o título de Sabores da ilha, incluindo textos de dezenas de autores dos mais representativos da literatura produzida no Espírito Santo.

Dois, aliás, três de Elmo Elton

De uma tacada só, a Academia Espírito-santense de Letras republica três livros de Elmo Elton.

Em convênio com a Prefeitura Municipal de Vitória, o volume 23 da Coleção José Costa traz dois livros: Velhos templos e Tipos populares de Vitória, que resgatam "para as novas gerações, as pesquisas, a memória e o amor desse grande capixaba sobre sua cidade natal, Vitória".

O outro livro, Anchieta e outros temas capixabas, foi publicado em convênio com a Secult, com 20 sonetos sobre Anchieta e outros poemas, inclusive inéditos.

Este é o 7º livro de Anaximandro Amorim, segundo de caráter autobiográfico. Nele, o autor conta uma história de sobrevivência. Em 07 de setembro de 2009, em viagem pelas montanhas capixabas, sofreu um grave acidente automobilístico, que quase tira sua vida. Coma, traqueostomia, experiência de quase morte e outros relatos permeiam a obra, verdadeiro exemplo de literatura de resistência. O livro é publicado pela LeYa Brasil.

Esta é a quarta investida em livro de José Roberto, que a partir de uma seleção de 51 crônicas, artigos, resenhas, críticas e roteiros musicais, apresenta um recorte de sua produção jornalística com foco na cobertura musical que desenvolveu durante duas décadas no jornal A Gazeta e na perspectiva do acesso à cultura como elemento transformador da sociedade. Crônicas musicais e recortes de jornal é uma defesa apaixonada do jornalismo e do ofício do jornalista, onde se percebe, nas entrelinhas, a busca incessante do autor pela musicalidade do texto, entre melodias, ritmos e harmonias, cantos e encantos, pausas e acentos, dinâmica e andamentos, lirismo e amor.

Este livro de Renata Bomfim conta com 120 poemas que abordam principalmente temáticas socioambientais, mas o amor, a morte, a solidão e a esperança também ganham espaço no livro.

Este livro, A flor quebrou o asfalto, de Wilson Coêlho, é uma série de ensaios sobre escritos diversos que não tem aparentemente uma relação entre eles. Daí a dificuldade de apresentar um livro que é como um mosaico, um patchwork ou uma colcha de retalhos. Mas isso é só uma impressão, já que numa leitura atenta, se sente a presença de um olhar unificador: o olhar de nosso ensaísta Wilson Coêlho. (Gilbert Chaudanne)

Há duas maneiras de se chegar ao bairro Assunção de Nossa Senhora, ou simplesmente Assunção, a noroeste da ilha de Vitória. A primeira é pegar a rodovia que leva até lá e encontrar uma sutil indicação à margem norte, por onde se envereda e lá chega. A segunda maneira é ler estes contos do escritor Pedro J. Nunes, que não apenas dão conta do lugar e da gente que nele mora, como também da forma como essa gente vive esperançosas e trágicas histórias de amor.

É nesse bairro fictício, mas localizado em uma Vitória real, criação tão ao gosto desse escritor, que essas histórias aconteceram (Nicodemos, o matador e A abantesma do bairro Assunção), aí vieram ter seu desfecho (A última noite e Violeta) ou sua origem (Teorema). Se estes contos são fortemente atravessados pelo tema do amor entre os assuncenses, aquele pretensiosamente batizado Eventos de gente trágica: romance breve é o mais completo painel traçado sobre como se ama em Assunção.

Inclui-se nesta antologia Mariposa noturna em veranico de maio, conto escrito na década de 1990. Já que possui certa semelhança com os demais contos, quando nada por haver sido ambientado em alguns lugares imaginários em Vitória, inclui-se neste volume rogando em seu favor uma segunda chance.

Quem conhece Caco Appel conhece alguém para quem os livros não são apenas importantes, são fundamentais. Esse leitor democrático, mas sempre atento a rígidos critérios de qualidade, lê de tudo, tanto que não é incomum que nós, seus amigos, lhe peçamos sempre alguma orientação quando se trata de um livro duvidoso. Caco não titubeia, e sempre vem com uma orientação segura.

A esse leitor voraz não basta ler: Caco, em alguns casos, só se satisfaz quando faz uma resenha sobre o que leu, muitas das quais ele publica neste livro. Agora, quando ele não estiver por perto, poderemos contar com as orientações contidas nesse original volume de impressões de leituras.

Quanto àquela orientação sobre livros a que me referi, nunca vi que Caco errasse. Por isso, caro leitor, você tem nas mãos um livro com certificado de garantia. Lê-lo não vai apenas abrir-lhe uma perspectiva de leitura, mas uma perspectiva de leitura segura. (Pedro J. Nunes)

 

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