A vida dos livros e outras coisas

O encontro – O pessoal começa a chegar por volta das 10 horas da manhã de sábado – todos os sábados – na Livraria Logos da Praia do Suá. Vai quem quer. Ninguém leva falta se não mostrar a cara por lá. Não há lista de chamada. Aliás, há é uma dificuldade em lembrar, ao certo, os nomes de todos os membros da turma. A reunião vem desde 1989, quando Sergio Bichara e João Bonino se encontraram pela primeira vez, na livraria. O que se faz lá? Primeiro, o que qualquer um faz naquele tipo de lugar: procuramos livros – novidades ou indicações de um dos amigos (e essa é uma boa coisa que acontece o tempo todo, as boas indicações). Depois, sentados em volta das mesas especialmente preparadas, que antiguidade é posto, pelos adoráveis funcionários e funcionárias da casa, com direito a biscoitos e espressos, conversamos sobre qualquer assunto, inclusive sobre literatura e livros. Entretanto, principalmente, não existe pauta para o bate-papo.

A ideia – No final de 2013 Pedro J. Nunes chegou ao nosso encontro semanal com uma ideia: cada um deveria escrever um conto, uma crônica ou o que desse na telha (em prosa) com o tema livros, livrarias e bibliotecas. Aquilo seria a forma de uma despedida do local, que entrará em obras, para reabrir, quem sabe, pra lá de 2017. Também poderia servir à uma ação junto aos jovens, para o estímulo à leitura e ao interesse pelos livros O resultado seria uma publicação com os textos daqueles que quisessem participar, ninguém era obrigado a entrar no jogo.

A ideia de Pedro não é inédita, é uma imitação dele mesmo, a “reedição” de algo parecido que já acontecera em 1995, quando os amigos de sábado publicaram o livro de contos Mulheres – diversa caligrafia.

O livro – Agora, décadas depois, se produz este livro: Na Livraria – diversa caligrafia. Nas suas páginas o leitor vai se deparar com contos, crônicas, ensaios – sempre sobre livros, livrarias e afins – e até uma reportagem produzida pela jornalista, e “membra” da gangue, Linda Kogure, resultado de uma entrevista com o nosso “curador” Silvio Folli, sócio da livraria.

Os textos são intrigantes, fabulosos, até fantásticos. Garantia de algumas horas de divertimento e informação. Um mergulho profundo na literatura capixaba de qualidade.

O vau da vida, reúne contos narrados em estilo fluido com matizes de prosa poética e temática variada e crônicas que traçam um daguerreótipo da sociedade, registrando aspectos consuetudinários e fatos de ontem e de hoje.

Horas verdes foi escrito, em 2013, durante os quatro meses em que vivi em Santiado de Compostela, na Espanha, como bolsista CAPES, para realizar parte do Doutorado em Estudos Literários. Chegou-me como um sopro de vida. Fênix renascida. (Karina Fleury)

A primeira vez que viu Gilbert Chaudanne, Dayse Resende era uma estudante de pré-vestibular de 17 anos de idade. Sentado em uma mesa, acompanhado de um livro e uma xícara de café, no Centro Praia Shopping, o artista francês, já conhecido em toda Vitória por suas Madonas e livros artesanais, chamou a atenção da jovem pela sua aparência e postura.

Ao ter maior contato com o artista, com seu estilo de vida e método de criação, Dayse Resende percebeu a relevância da figura de Chaudanne enquanto artista e articulador cultural. Notou sua grande contribuição para a o cenário artístico e para uma geração de artistas locais.

Compreendendo a importância e urgência em organizar, registrar e comunicar a vida e obra de Gilbert Chaudanne, para que não se perdesse pelo tempo, nas mudanças físicas, geográficas e pessoais a que somos acometidos, Dayse se assumiu como pesquisadora e levantou todos os documentos do processo de criação do artista. São cadernos e livros artesanais, folhas avulsas, anotações desorganizadas e misturadas, que materializam as ideias, os pensamentos, a construção do objeto artístico de Chaudanne.

Com o volume Índios, negros e mestiços: estudos etnográficos, de Afonso Cláudio de Freitas Rosa, a Coleção José Costa chega a 24 volumes publicados sobre a história do Espírito Santo e outros temas de interesse para o conhecimento de fatos ligadas ao Estado. O livro é publicação conjunta da Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória e da Academia Espírito-santense de Letras e foi distribuído gratuitamente no dia de seu lançamento.

Trata-se da reedição de três trabalhos científicos escritos pelo mais importante intelectual capixaba de sua época (Afonso Cláudio nasceu em 1859 e faleceu em 1934), publicados há mais de cem anos e nunca reeditados.

Os estudos que compõem o livro:

1. As tribos negras importadas. Estudo etnográfico, sua distribuição regional no Brasil. Os grandes mercados de escravos. Desse estudo, esclarece Francisco Aurélio Ribeiro: "Aos olhos de hoje, o texto pode parecer racista e preconceituoso; no entanto, foi obra de referência para Gilberto Freire, ao escrever Casa grande e senzala, e tem sua importância pela crítica que faz à escravidão, à luz do direito".

2. Indicação das tribos indígenas no Estado do Espírito Santo

3. As três raças na sociedade colonial. Contribuição social de cada uma

Ainda segundo Francisco Aurélio Ribeiro, "este livro é um prato cheio para os estudiosos de hoje se deliciarem com as concepções históricas e sociológicas do nosso principal acadêmico de cem anos atrás".

A primeira edição deste ensaio histórico-etimológico Topônimos capixabas de origem tupi, de Samuel Duarte, foi publicada em 2008, integrando a Coleção José Costa, da Secretaria Municipal de Cultura de Vitória. Agora, reaparece em segunda edição, ampliada não somente no número de topônimos (eram 144, agora são 202), mas também em sua bibliografia, e vem coroar quase 14 anos de estudos e pesquisas de seu autor.

A Coleção Roberto Almada chega ao número 27 com a publicação de O poeta da cidade - Elmo Elton: vida e obra, organizado por André Luiz Neves Jacintho com notícia biobibliográfica de Paulo Stuck Moraes e estudo crítico de Francisco Aurélio Ribeiro. O livro foi publicado pela Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória em convênio com a Academia Espírito-santense de Letras e teve distribuição gratuita.

Vácuo, livro de Caê Guimarães, confirma que a boa poesia ainda está entre nós. O lançamento, um belo livro de capa dura, é da editora Cousa. Dele disse o escritor Francisco Grijó: "Caê sabe o que está escrevendo quando maneja os vocábulos como se construísse um plano que se inclina, um círculo que nunca se fecha, um polígono de infinitos lados. Não chega a confundir o leitor, mas incita-o, provoca-o até o limite essencial à cumplicidade daquele que lê e daquilo que é lido (sim, o poeta fica de fora). E combina bem desespero e erotismo, ironiza o existencialismo sartriano, apela para aquilo que mais temos de humano, que é nossa capacidade de sonhar. Costura temas como boxe, sexo, amizade, mitologia, humor, religião, medo, vida - e o faz com a maturidade do criador fundamental."

Dois prosadores, ótimas promessas

O primeiro é Yan Siqueira, que além de membro fundador da Confraria dos Bardos, publica seu primeiro volume de contos, Yanni. Os contos tratam de cárcere, loucura, amor, questionando padrões sociais de gênero e sexualidade.

Em seguida, o romance Classe média baixa, do jovem escritor Wagner Silva Gomes. Ambientado em favelas, o romance pretende lançar um novo olhar sobre as favelas capixabas.

Ambos os escritores são professores de literatura.

Escritores capixabas Pedro J. Nunes e Wilson Coelho em Irupi

Em 13 de agosto de 2014, os escritores Pedro J. Nunes e Wilson Coelho foram os convidados da Escola Bernardo Horta, em Irupi, simpática cidade localizada na região sul do Espírito Santo, dentro das programações da FLIR – Feira Literária de Irupi, realizada naquele colégio. Leia

O Sesc-ES estabeleceu uma produtiva parceria com a literatura e com os escritores capixabas ao promover o Café Literário a partir do segundo semestre de 2007. Foram cinco edições, apenas a primeira com escritores de fora do estado, ganhadores do Prêmio Sesc de Literatura, uma importante premiação para escritores inéditos ou quase. Do Espírito Santo dez escritores participaram das demais quatro edições. Leia mais

História e cultura na 6ª edição do Café Literário, em Anchieta

Com música ao vivo, declamações e presença marcante do público leitor de Anchieta, cidade do litoral capixaba, aconteceu em outubro a 6ª edição do Café Literário. Os escritores convidados foram Luiz Guilherme Santos Neves e Fernando Achiamé.

Luiz Guilherme falou sobre livro inédito com a personagem Crinquinim envolvendo a cidade e sua história, dando à sua fala o título Eu e Crinquinim em Anchieta. Fernando Achiamé palestrou sobre a história da cidade com o tema De Reritiba a Anchieta - momentos decisivos. Leia mais

A professora Regina Maura de Oliveira Babilon, da escola E.E.E.F.M. Graça Aranha, de Santa Maria de Jetibá, está fazendo um trabalho com textos de escritores capixabas digno de reconhecimento. Residindo em Santa Maria de Jetibá há quatro anos e lamentando que a cidade não possua livraria, a professora arregaçou as mangas e venceu as fronteiras. 

“Como é sabido, diz ela, nós brasileiros, temos mania de ressaltar o ‘de fora’, esquecendo o que (ou aquele(a)) que está bem perto. Sendo assim, resolvi colocar em prática um sonho antigo: viabilizar aos alunos leituras de obras produzidas no Espírito Santo. A nossa escola recebeu um pequeno acervo, o que tem contribuído para a execução (andamento) do projeto; outros títulos fazem parte do meu acervo particular.” Leia mais

Com Da Capo - de volta às origens da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, do escritor Juca Magalhães, o capixaba ganha mais um recurso valioso para entender aspectos de sua história e fixar a memória de suas coisas.Vítor Marques Diniz, ao prefaciar o livro, lembra que do trabalho de Juca Magalhães "resultou um documento histórico de grande valia". Este livro é já a segunda edição de um volume lançado pelo Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, em que JM consolidou uma pesquisa mais sólida, em muito acrescentando ao livro original, que já era um recurso extraordinário para conhecer a história da nossa orquestra. Leia mais

Não mais de vinte homens, quase todos ex-militares, participaram da primeira resistência armada à ditadura militar no Brasil. Dois anos depois do golpe de 1964, apoiados por Leonel Brizola, então exilado no Uruguai, tentaram estabelecer um foco de guerrilha na serra do Caparaó, na divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais. Além da perseguição militar e policial, enfrentaram sua inexperiência para sobreviver no ambiente inóspito escolhido para a ação, a desconfiança dos camponeses – que tentaram, sem nenhum sucesso, arregimentar – e as divergências internas, quando o idealismo dos primeiros instantes progressivamente vacilou. Em 1º de abril de 1967 os guerrilheiros foram capturados, numa emboscada organizada pela Polícia Militar mineira. Leia mais

Andar pelas ruas e cruzar com poetas e cronistas é rotina em São José do Calçado, município que saiu na edição brasileira do "Guiness Book", o "Livro dos Recordes", como o que tem o maior número de escritores e poetas por metro quadrado.

Com 11 mil habitantes, a cidade apresenta em torno de 110 escritores, alguns famosos mundialmente, como Geir Campos, e outros conhecidos apenas na região. Leia mais

A invenção da paisagem: Amazônia, livro de Fernando Augusto, mostra desenhos, fotografias e anotações da viagem que o artista fez à Amazônia, navegando de Manaus (AM) e Porto Velho (RN) em um navio hospital da Marinha Brasileira com objetivo de “desenhar os diversos cenários amazônicos”. O livro é parte do projeto “Viajamos para Viver”, vencedor do edital de exposição itinerante da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

Segundo livro do escritor Jorge Solano, que já publicou um livro de poemas, 7 quase contos é o novo lançamento da Editora Cândida, do qual diz ser um livro leve, repleto de humor e ironias, longe de ser superficial. Agradável à leitura, não exime o leitor de pensar.

O livro Objetiva de Paulo Bonino: 50 anos de fotografias do Espírito Santo, de Paulo Bonino, documenta a evolução de municípios capixabas como Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Guarapari, Anchieta, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim entre outros, no período de 1960 a 2005. Nessas fotografias o leitor terá também a oportunidade de estabelecer contato com a vida e tradições do período.

Em seu livro Paulo Bonino oferece também uma amostra de seu veio artístico e naturalista, por meio de fotografias belíssimas, fotografias de arte e de beija-flores, sendo algumas delas premiadas inclusive em salões internacionais ou publicadas em revistas importantes, como a National Geographic e a revista Galileu.

O livro inclui cerca de 300 fotos, a maioria preto e branco, texto de Maria Clara Medeiros Santos Neves e prefácio de Humberto Cappai. Ele foi patrocinado pela VIGSERV, pelo SINDESP, pelo Instituto SINCADES e pela UNICAFÉ e  lançado em 6 de dezembro de 2010.

Maomé vai a Montaigne, de Wilson Coelho, é o novo lançamento da editora Cousa. Nos ensaios deste novo livro, o autor, com seu estilo provocador, caminha pelo universo da literatura, teatro, cinema, filosofia e, claro, política. São estradas que o autor conhece bem pelos vastos meios de expressão que utiliza nas artes - encenador, dramaturgo, crítico, poeta, filósofo. A erudição e bombardeio de ideias fluem harmonizados em um texto de rara qualidade em nossos dias.

A longa história renova a literatura brasileira ao buscar aquelas raízes de nossa cultura que remontam à longínqua e, no entanto, tão próxima Idade Média europeia.

Reinaldo Santos Neves produziu esta obra extraordinária, para a qual, se formos buscar parâmetros, teremos de buscá-los não naqueles romances que abordam a Idade Média por ângulos de apelo fácil, mas em obras mais densas e sofisticadas – e não menos empolgantes – como O eleito, de Thomas Mann, e O nome da rosa, de Umberto Eco. Leia mais

As histórias que estão sendo contadas nas páginas de “Patrulha da Madrugada – o início da aviação no Espírito Santo” sempre me apaixonaram. Ouço-as desde criança, em conversas com meu pai, Nelson de Albuquerque Silva, ou em relatos de outras pessoas, geralmente pilotos. São histórias de aviação e de aviadores. Histórias de idealistas e sonhadores, claro.

Tentei compor o livro com fatos históricos. Descobri que quase tudo se perdeu. Em um contato com um site de ex-pilotos brasileiros da II Guerra Mundial (www.sentandoapua.com.br), foi-me dito que até mesmo as cadernetas de missões dos oficiais que serviram na Itália iam sendo jogadas fora pela incúria e desleixo oficiais. Salvou-as um velho comandante, que as levou para casa onde desde então estão a salvo. No Ministério da Aeronáutica pouco há. Quem buscar, por exemplo, a história do Aeroporto de Goiabeiras no tópico “Aeroportos Brasileiros”, encontrará um impreciso relato de poucas linhas, acusando o início da existência e atividades do terminal quando ele já existia, de fato, há um bom tempo. E com voos regulares... 

Portanto, muitos fatos aqui narrados foram obtidos a partir de textos de publicações do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (Incaer) e de algumas outras mais específicas, como no caso do livro “Breve resumo histórico da Aerovias Brasil e outras histórias...” de Carlos Affonso Migliora. Ainda houve dados retirados da Internet, até mesmo de textos acadêmicos relacionados aos primeiros anos da aviação comercial no Espírito Santo e restante do Brasil.

O mais importante foram os depoimentos. Como os de Alfredo Chevrolet, que me franqueou os arquivos do Aeroclube, Lourenço Fernando Tamanini, que me ouviu gentil e pacientemente em longos telefonemas Vitória/Brasília. E também alguns textos do livro originariamente publicados em revistas ou série de cadernos oficiais, como “Esporte Memória”, da Prefeitura de Vitória. O que foi ótimo para a correção de pequenos erros históricos. 

As fotos que ilustram esse livro cobrem um período que vai de 1939 a 1955. Como é impossível datá-las todas por dia, mês e ano, são identificadas às vezes por proximidade temporal. Praticamente todas eram do arquivo pessoal de meu pai. Ele guardou-as diligentemente até o último dia de sua vida. Elas foram apenas escaneadas, em preto e branco, para retirar o sépia que poderia ficar na reprodução final do livro. Houve poucos recursos de tratamento de imagem para “melhorá-las”.

Patrulha da Madrugada – o início da aviação no Espírito Santo”é como um tributo. Não apenas à memória de quem me inspirou a fazer a pesquisa e o relato, mas também à necessidade de preservarmos o passado. Sim, porque essas páginas são um registro de parte da história do Estado do Espírito Santo. (Álvaro José Silva)

Adilson Vilaça lança pela editora CRV, de Curitiba, Drummond: o jardineiro do tempo. Seu livro, fruto de um mestrado em literatura, propõe examinar ponto de cesura na obra poética de Carlos Drummond de Andrade, destacando como objeto de investigação o livro A rosa do povo, de 1945. Adilson escolhe o caminho curvilíneo, valorizando a paisagem. A arquitetura de sua estrada se insinua desde o título: os signos, aí espalhados, se harmonizam em relações que se captam num relance: “jardineiro-tempo”, “rosa-jardim”, “cesura e reconciliação”, esclarecem os editores. E Adilson Vilaça torna-se, junto à grandeza de sua obra, mais um autor capixaba que atravessa as fronteiras do ES.

O jornalista e historiador capixaba Marcelo Pedrosa está lançando o livro São Pedro do Itabapoana: patrimônio, memória e identidade sul capixaba. A obra é fruto de sua pesquisa de mestrado em Bens Culturais e Projetos Sociais no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV). Natural de Apiacá, Espírito Santo, Marcelo procurou analisar a relação entre patrimônio, memória e identidade do sul do Estado a partir do antigo município e atual Sítio Histórico São Pedro do Itabapoana, localizado em Mimoso do Sul. Busca este objetivo a partir da análise de três momentos importantes da história do antigo município: sua emancipação política em 1887, seu tombamento como sítio histórico em 1987, e a criação do Festival de Inverno de Sanfona e Viola, em 1998.

Este estudo, O papel da mulher e a mulher de papel: vida e obra de Maria Antonieta Tatagiba (2010), é tema da dissertação de mestrado de Karina de Rezende Tavares Fleury. Trata-se de um dos mais abalizados já feitos sobre essa escritora capixaba. Nele, Karina Fleury fez minuciosa pesquisa, apoiando-se em fontes primárias e secundárias, recolheu depoimentos dos familiares, foi em busca de seus primeiros textos, incluindo um conto publicado em O Jornal, do Rio de Janeiro, em 1923, e recolheu poemas inéditos. Para o leitor de hoje, será uma surpresa saber que no Espírito Santo de então existia uma escritora de tal quilate; para os que já conheciam um pouco da obra de Maria Antonieta, será uma delícia reler seus textos já conhecidos e conhecer os outros recolhidos por Karina.

A sombra do holocausto é o mais recente livro da escritora Neida Lúcia Moraes, lançado em 2010; Este é um romance histórico, não por ater-se à História, mas por basear-se num processo histórico da Inquisição no Espírito Santo, que serviu à autora como ponto de partida para desenvolver o caráter e a personalidade ficcional de Nuno, à semelhança do que fez o sueco Lagerkvist, que se baseou numa passagem do Novo Testamento para criar o seu Barrabás. Nuno, portanto, vítima da Inquisição, nasceu da História, mas ganhou asas próprias na fértil imaginação de Neida Lúcia Moraes.

Mais de vinte anos depois do lançamento de seu último livro, Sebastião Lyrio retorna com o romance Encontro em Bruxelas (Cultural & Edições Tertúlia), ambientado em Vitória e na capital de fato da União Europeia, narrando as apimentadas aventuras de Pérsio em busca de Carol, desaparecida em Bruxelas.

Conheça o trabalho de Elizabeth Martins

O encontro da Literatura com a sala de aula é o que se poderia chamar de combinação perfeita. É o que atestam as experiências de inúmeros escritores com as visitas que fazem às escolas.

Elizabeth Martins é uma dessas operárias das letras que abriu mão do comodismo e da inércia e, de mãos com sua formação de educadora (para quem não sabe, Elizabeth Martins é formada em História pela Universidade Federal do Espírito Santo e foi professora no Ginásio Maria Ortiz, na Escola Técnica Federal e no Colégio Martim Lutero), iniciou um belíssimo trabalho com alunos da rede pública e particular. Leia mais

Biblioteca escolar, eis a questão, de Lúcia Helena Maroto

Desde a constituição de bibliotecas da Antiguidade Clássica até a invenção e a fabricação do papel pelos chineses, o homem tem lançado mão dos mais diversos suportes para registro dos acontecimentos, das impressões e, especialmente, para o suprimento das suas necessidades cotidianas de aprendizado e de uso da palavra escrita. Neste livro, Lucia Helena Maroto tece um relato crítico sobre o surgimento e a atuação das bibliotecas brasileiras no decorrer dos tempos e apresenta iniciativas de promoção da leitura e da valorização da biblioteca desenvolvidas em diversas cidades do País.

Para que a biblioteca tenha um lugar de destaque no espaço escolar, alguns aspectos relacionados ao desenvolvimento de serviços bibliotecários são abordados e discutidos, entre eles: a transformação da biblioteca num espaço democrático de acesso crítico à leitura e ao conhecimento, onde o leitor se sinta artífice da sua própria aprendizagem, seduzido e livre para usufruir das fontes e dos mundos ali inscritos, e o estabelecimento de propostas inovadoras de dinamização e incentivo à leitura e à pesquisa. É isso que a autora apresenta nesta obra, fundamental para se pensar a biblioteca escolar no Brasil de hoje e, consequentemente, a escola pública que se constitui, muitas vezes, na primeira oportunidade concreta de acesso aos bens culturais e científicos produzidos pela coletividade. Leia também

Uma obra de grande amplitude e importância foi acrescentada à bibliografia de estudos sobre o Espírito Santo neste ano de 2008. Trata-se da Coletânea de estudos e registros do folclore capixaba: 1944-1982, disponível ao público, em versões impressa e virtual, graças ao patrocínio da Petrobras S/A, que viabilizou o projeto por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura.

Quem é o autor

A Coletânea de Estudos e Registros do Folclore Capixaba: 1944-1982, disponível ao público a partir de outubro de 2008, é de autoria do folclorista capixaba Guilherme Santos Neves (1906-89), que se destacou no campo dos estudos folclóricos como fundador e secretário geral da Comissão Espírito-santense de Folclore e membro do Conselho Nacional de Folclore.

O que é a obra

A obra, que consiste em dois volumes com um total de 1.176 páginas, reúne 251 ensaios e artigos do folclorista Guilherme Santos Neves, abrangendo as mais diversas manifestações populares por ele localizadas e estudadas no Espírito Santo: literatura oral, folclore infantil, superstições e crendices, medicina popular, tradições e costumes, culinária, festas e folguedos, música e dramatizações populares, além de ensaios teóricos, registros de eventos promovidos pela Comissão Espírito-santense de Folclore sobretudo nos anos 1950 e notas sobre personalidades — tanto estudiosos como portadores de folclore — da época. A obra inclui também 70 fotografias do folclore capixaba, em sua maior parte de autoria do próprio pesquisador, cerca de 40 partituras musicais registradas a partir de gravações feitas por ele, além de várias ilustrações. Entre os textos de apresentação da obra se encontra um estudo introdutório assinado pelo Prof. Fernando Achiamé, pesquisador associado do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Literatura do Espírito Santo (Universidade Federal do Espírito Santo), sobre a importância do trabalho de Guilherme Santos Neves como folclorista.

A Coletânea é obra pioneira porque contempla esforço de pesquisa único no Estado, nunca realizado, nem antes nem depois, nas mesmas proporções, na área da cultura popular. A obra constitui, assim, um vasto memorial da cultura popular capixaba vigente, sobretudo, entre as décadas de 40 e 60 do século passado, preservando manifestações folclóricas que desapareceram por completo ou sofreram fortes modificações e resgatando, por meio do registro de eventos e atividades, os processos como se faziam a pesquisa e a divulgação do folclore naquele período.

Além disso, cada um de seus textos revela a obstinada dedicação e o profundo amor de Guilherme Santos Neves à cultura popular do seu Estado: essa obra é resultado precioso e substancial dessa dedicação e desse amor. Leia também

 

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