
(Tradução da versão alemã de JAN ULEMBROOK)
Da aldeia à montanha
majestosa a neve guarda
o que os pilões comem
Buson
De noite no campo
estende-se a neve e então
ceifam-se as cebolas
Seisei
Cada vez mais branco
vai o alho-poró crescendo
com todo este frio
Bashô
Da vela de cera
um sopro trêmulo e fraco
da neve à janela
Izen
Eis que dá ferrugem
na lamparina com o frio
da neve da tarde
Etsujim
Perto do lampião
começa a criar-se gelo
nesta noite fria
Seira
Como no mercado
ouço um burburinho de vozes
do ano que termina
Sôdô
Nos últimos dias
acumulam-se os remotos
tempos que passaram
Buson
São as sempre-vivas
e as madressilvas lembrando
um tempo passado
Ryotô
Publicados originalmente no jornal A ORDEM, ano LXII, São José do Calçado, domingo, 19 de março de 1989, nº 2499.
(Tradução da versão alemã de JAN ULENBROOK)
Sem barulho a chuva
vai fazendo a ronda dela
no monte gelado
Buson
As pedras no pasto
dão suas vidas por ganhas
sob a chuva fria
Kinsai
Com a água que cai
encharcam-se as cavalinhas
sob a chuva fria
Teijo
Barulhentos patos
deixam pela chuva fria
a água em que nadam
Kigô
Sob a chuva fria
gansos enchem de barulho
os sulcos do campo
Bashô
Com medonho frio
a árvore gigante sobe
até lá nas nuvens
Shiki
À primeira neve
olhe-se agora no monte
a rosa campestre
Buson
Bem lá nos confins
sobre o pico da montanha
permanece a neve
Shiki
Já a primeira neve
condena e condena mais
a tarde que cai
Issa
Publicados originalmente no jornal A ORDEM, ano LXII, São José do Calçado, domingo, 2 de julho de 1989, nº 2514.
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Esta é uma publicação de cooperação entre o site Tertúlia e a Academia Calçadense de Letras.
