Biografias Livros Leitura Notícias Matérias especiais Recanto da poesia

Quem somos Tertúlia vídeo Mapa do site Fale conosco Livro de visitas

 

ANO XII - Última atualização: 13 de setembro de 2017.

 

 

 

Isso afinal mostra que certas glórias dos bons tempos não foram sempre tão deslumbrantes, pelo menos até onde alcança minha memória. Tínhamos plena consciência de que não podíamos nos alinhar com os deuses olímpicos do futebol carioca. O exemplo mais acabado dessa condição não foi o ocorrido nesse jogo do Fluminense, mas com um time do Flamengo que apareceu por aqui em meados dos anos quarenta. Ao falar desse time não sei se estou falando de um time de futebol ou de uma ficção, de um punhado de heróis gregos que vai à caça do gol como quem vai pegar o velocino de ouro com o descansado gesto de rotina de apanhar a marmita do almoço. Vejam a linha média: Biguá, Bria e Jaime. Bem mais tarde, cerca de uma década depois, o Brasil se sagrou campeão do mundo, mas na memória dos que assistiram àquele jogo aqui em Vitória permanecerá sempre a dúvida se aquele time do Flamengo não deixava a anos luz de distância a própria seleção canarinho de 1958.

 

 

 

     
 

 

 
   

 

 
 

 

Samuel Johnson, cidadão inglês do século XVIII, e Lêdo Ivo, brasileiro que viveu entre os séculos XX e XXI, não se entenderiam a respeito de biografias. Enquanto aquele estabelecia que “ninguém pode escrever a vida de um homem a não ser que tenha comido, bebido e convivido com ele”, este, bem ao contrário, acreditava que “a maioria dos biógrafos empenha-se em explicar a obra a partir da vida, quando o correto é exatamente o contrário: trata-se de explicar a vida a partir da obra”. Verdade, verdade mesmo, é que nessa sopa há várias colheres, e não há quem se entenda sobre essa questão.

 

Do alto de sua bem constituída reputação literária, depois de publicar meia dúzia de títulos de ficção, é chegada a hora e a vez de Francisco Grijó se aventurar pela biografia, publicando esse aguardado livro Os Mamíferos: crônica biográfica de uma banda insular. Não sei se o escritor capixaba Francisco Grijó conhecia o que pensavam Samuel Johnson e Lêdo Ivo, mas é certo que conhecia, referindo-se às Memórias de um amnésico, do compositor francês Erik Satie, as dificuldades da biografia, o que justifica sua ressalva de que, não sendo biógrafo nem jornalista, preferiu colocar-se na posição de cronista. Cômoda posição? Bem verão os leitores do livro que não.

 

 

 

 

 

 

 

Memória repartida, romance publicado em 2014 pelo magistrado e historiador Getúlio Marcos Pereira Neves, consagra seu autor, também, como ficcionista, colocando-o ao lado de outros escritores capixabas que incursionaram nessa instigante e desafiadora modalidade literária - o romance -, tendo o Espírito Santo como cenário ou tema de suas obras. Dentre eles, podemos citar: Renato Pacheco (A oferta e o altar), Neida Lúcia (À sombra do holocausto), Adilson Vilaça (O albergue dos querubins), Luiz Guilherme S. Neves (O templo e a forca), Adelpho Monjardim (O tesouro da ilha Trindade), Ormando Moraes (Seu Manduca e outras histórias) , Evandro Moreira (Pau d’alho), Levy Rocha (Marapé), Samuel Duarte (Alma de mestre), Álvaro Silva (O faxineiro), Miguel Tallon (Marília), Jovany Reis (O donatário), Virgínia Tamanini (Karina), Bernadette Lyra (A capitoa), Reinaldo S. Neves (Kitty aos 22: divertimento), dentre muitos outros. Só essa pequena citação já comprova o quanto temos de bons romances no Espírito Santo e o quanto é falsa a ideia de que não haja prosadores capixabas de fôlego.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Profundas transformações sociais marcam o país e o mundo nesses mais de 160 anos de história da Biblioteca Pública do Espírito SantoBPES – completados em 2015. A abertura de mercado decorrente dessas transformações se faz sentir em todas as instâncias: na mídia, na política, na cultura, na ciência, na economia e na informação. Esse movimento interfere nos sistemas sociais, nas relações humanas e na riqueza e no destino das nações. Nessa nova ordem mundial os homens e as instituições encontram-se interligados, em rede, por diferentes canais informacionais e comunicacionais. Independentemente da diversidade política e cultural que os povos apresentem, a informação invade nossas vidas, nosso cotidiano, eliminando fronteiras e trazendo novas e significativas mudanças.

 

 

 

 

 

 

     
 

 

Uma viagem no tempo pelas ruas antigas da cidade de Vitória. É o que nos propõe Luiz Guilherme Santos Neves nestas crônicas atemporais de mãos com uma inusitada disposição histórica, nostálgica, folclórica e afetiva. Com ele, como fizéramos com Elmo Elton, conhecemos a cidade de outro tempo. Com a diferença de que aqui, como um visitante que vença os perigos da chegada de Cidadilha - a cidade-ilha, ou a ilha de Vitória -, caminhamos ao lado do autor evoluindo, a cada capítulo, para o conhecimento de uma cidade e seus logradouros de outros tempos.


Um livro para ser lido com igual prazer por amantes da História e da Literatura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Bíblia era o livro de cabeceira de Clarice Lispector. Artista que era, devia ter o “Eclesiastes” entre os seus livros preferidos. José Carlos Oliveira lia o “Eclesiastes”. E tomava vinho junto.

A importância que escritores dão a esse livro, seja pelo conteúdo e forma, pode ser medida pela transposição criativa que o poeta e ensaísta Haroldo de Campos fez do “Eclesiastes” para o português, na busca de equivalentes poéticos para o texto original.

 

 
   

 

 

 

 

 

Iracema Moraes de Matos era minha tia-avó, e de fato avó social, pois criou três dos seus sobrinhos: meus tios Dicamor e Pedro, e minha mãe Felisbina (Bina), órfãos de pai e mãe desde bem pequenos. Vovó Iracema era casada com Arnulfo Matos e muito amiga de Maria Stella de Novaes, a quem chamava de Stellinha, e que a mencionou em seu livro A mulher na história do Espírito Santo. Ainda criança, conheci dona Stellinha no apartamento dos meus avós, no quarto andar do Edifício Presidente, no centro de Vitória. Logo me encantei com aquela pessoa diferente, que falava de modo distorcido e num tom alto, por ser surda. Com cabelos curtos, mais brancos que grisalhos, de porte empertigado e com voz firme, a figura de dona Stellinha nunca mais me fugiu da memória, devido também às constantes referências que a ela faziam meus familiares.

 

 

 

 

 

 

 

 

O que aconteceu no Espírito Santo, relativamente à literatura, desde sua colonização? Que relevância tem a produção de livros em nosso Estado? No livro A literatura do Espírito Santo: uma marginalidade periférica, publicado em 1996, Francisco Aurélio Ribeiro se dispõe a investigar o assunto e a fornecer respostas.

 

A partir desta edição, com o objetivo de contribuir para que se conheça melhor a literatura produzida em nossa terra, o site Tertúlia passa a publicar esse importante livro do pesquisador e escritor Francisco Aurélio Ribeiro.

 
   

 

 

 

 

 

 

 

A história não se passou comigo. Mas não resisto à tentação de contá-la, aditando pontos porque, como diz o povo, quem conta um conto acrescenta um ponto. 

 

Ele, um senhor de meia idade, faixa dos sessenta, foi atendido com a máxima cortesia. A balconista era jovem e prestativa – um amor de garota que, de bonificação, ainda exibia para deleite dos olhos duas covinhas que lhe mimoseavam a face quando sorria. E as covinhas sorriam por nada e por tudo.

 

Ele entrara na loja para comprar uma camisa social e saíra com duas. Ambas de cor azul-marinho, lustrosas, com um discreto riscadinho branco, porém sem exagero no brilho nem no riscadinho.

 

“Combinam com os cabelos do senhor”, ela disse.

 

 
   

 

 
 

Lá vão os prováveis rebeldes. Estamos numa rua de Londres. Mais precisamente em Oxford Street. Os possíveis rebeldes estão a uns dez metros de mim e eu os sigo. Na falta de um jornal onde possa fazer um buraco de observação - como nas antigas histórias policiais - vou fingindo que olho vitrinas e não os perco de vista.

Há cerca de dois minutos estiveram diante desta mesma vitrina onde estou agora e cujos objetos expostos jamais poderiam provocar, por si sós, a delirante cena de ainda há pouco. Aliás, foi naquele momento que passei a considerá-los rebeldes, quase sem nenhuma dúvida. Depois que se beijaram e da forma como o fizeram, seria difícil que me enganasse. Rebeldes em pleno coração do Império. Sem exagero: um beijo que ao menos na aparência lembrava o de Deborah Kerr ou Greer Garson com um galã cujo nome me escapa. Teria sido o de Irene Dunne com Walter Pidgeon?

 

 

 

 

 

 

 

O olhar de meu bom amigo Samuel Cortês parecia vir de muito longe, além de uma indistinta cortina de fumaça que subia de sua xícara fumegante de café com leite, quando ele me perguntou:

 

– Você gosta de palhaço?

 

– Palhaço? Eu? Gostar, mas... gostar por gostar, eu também gostaria que... palhaço?

 

Samuel, que não perde um mote, logo arranjou de glosar pela tangente:

 

– Bem, está certo, todos nós somos, em certa medida hoje em dia, feitos de palhaços. Mas não é a nós que me refiro, mas ao palhaço de circo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Das coisas boas dos tempos de criança a tia que me contava histórias é uma das melhores lembranças.

 

Tive uma vida agitada, morei em vários lugares e até os nove anos não criei raízes ou aqueles muitos amigos de infância.

 

Voltando à tia querida... Na ocasião, quando me dei conta da minha existência, estava com sete anos de idade e morava em Santa Catarina na casa dos meus avós maternos; passava a manhã na escola das freiras católicas – todos sabiam disso – e tinha as tardes livres para ir aonde só o capeta sabia, mas antes de sair precisava cumprir com as obrigações, claro. Se não fizesse o dever de casa minha avó me pegava pelas orelhas e me deixava de castigo até terminar a coisa.

 

 

 

 

 

Depoimentos de Afonso e Álvaro Abreu sobre Rubem Braga

Pedro J. Nunes fala de seu documentário sobre o Parque Moscoso

Zé Benedito: carreiro, vídeo de Pedro J. Nunes

 

Reinaldo Santos Neves fala sobre o romance A ceia dominicana.

 

Clique aqui para acessar o acervo de vídeos.

 


 

 


 

Inscreva-se em nosso informativo de atualização. Clique aqui.

 

Ao assinar nossa newsletter, você receberá apenas informações

sobre atualizações e promoções do site. Seu endereço não será

fornecido a nenhum banco de dados ou usado para fins comerciais.

 


 

Curta esta página ou indique para seus amigos

 


Este site mantém sua funcionalidade e

melhor visualização no Mozilla Firefox

 

     © 2005 Tertúlia

     Direitos reservados

Site de utilidade pública, sem fins lucrativos

Biografias   .:.    Livros    .:.   Fale conosco   .:.   Leitura   .:.   Livro de visitas   .:.   Mapa do site

 Matérias especiais   .:.   Notícias   .:.   Quem somos   .:.   Tertúlia vídeo   .:.   Recanto da poesia